Em gesto irônico que virou cena política, a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) entregou um frasco de óleo de peroba ao colega Nikolas Ferreira (PL-MG) nos corredores da Câmara, enquanto ele prestava entrevistas sobre a proposta conhecida como PEC 6x1. O episódio, registrado em vídeo divulgado pela própria deputada, foi uma resposta direta ao destaque apresentado pelo PL para alterar a redação votada em comissão.
A troca foi acompanhada de acusações públicas: Sâmia acusou Nikolas de mentir sobre a defesa do fim da escala 6x1 e cobrou a apresentação da carteira de trabalho; ele reagiu afirmando que a atitude seria uma tentativa de angariar votos em ano eleitoral. O confronto pessoal reforça a temperatura política em torno de uma pauta sensível para trabalhadores e para a base governista.
A PEC que reduz a jornada de 44 para 40 horas com dois dias de folga avançou na comissão especial com parecer do relator Leo Prates (Republicanos-BA), em votação marcada por 34 votos a favor e 4 contrários — estes últimos do PL e do Novo. O destaque do PL busca levar ao plenário uma versão mais favorável a interesses do partido, numa tentativa visível de forçar o governo a se posicionar sobre uma alternativa menos popular.
Mais do que uma cena de bastidores, a entrega do presente simboliza o uso de gestos midiáticos para marcar território numa disputa que terá efeitos práticos: a tramitação da PEC segue ao plenário e a estratégia do PL para alterar o texto aponta para uma batalha política por narrativa e por suporte público, com potencial de complicar a comunicação do governo diante do eleitorado.