Nomeado em janeiro, Chico Lucas assumiu a Secretaria Nacional de Segurança Pública com aval do ministro Wellington César e do presidente Lula em um ano eleitoral considerado estratégico para o Executivo. Nos primeiros meses, a gestão já convive com turbulência política: a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas ampliou a cobrança por resultados concretos no combate às facções.

A principal arma anunciada pelo secretário foi a nova etapa do Celular Seguro. O programa deixou de ser um banco isolado e agora integra os boletins de ocorrência das 27 unidades da federação, permitindo checar IMEI e identificar aparelhos com restrição. A novidade prevê ainda mecanismos para que quem comprou um celular roubado possa entregá‑lo em delegacia sem risco de punição e que o receptador seja incentivado a devolver o aparelho e colaborar na cadeia de comercialização.

Chico Lucas traz a marca de sua gestão no Piauí — onde, segundo dados do estado, houve queda de 50% nos roubos de celulares e 30% nos homicídios — e tenta replicar esse modelo em âmbito nacional. O secretário admite limitações técnicas (como a necessidade do IMEI em registros antigos) e aposta na integração com operadoras e delegacias para ampliar a recuperação de aparelhos.

Politicamente, a combinação entre a expansão do Celular Seguro e a fala que equipara milícias e facções — “fazem mal ao país nas mesmas proporções” — sinaliza uma tentativa de endurecer o discurso sem perder o viés operacional. Ainda assim, a pressão por resultados imediatos é real: a classificação externa dos grupos amplia expectativas e pode intensificar cobranças sobre o governo, exigindo que a promessa de eficiência entregue impactos mensuráveis na segurança pública.