O secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Júlio Valente, detalhou ao programa CB.Poder o cronograma de preparação das urnas eletrônicas para o primeiro turno das eleições de 2026 e as medidas adotadas para reforçar a segurança e a confiança do eleitorado. Valente destacou que a atualização dos mecanismos de proteção é contínua e inclui testes públicos de segurança abertos à participação de quaisquer cidadãos maiores de 18 anos.
Segundo o secretário, as mudanças mais relevantes ocorreram na camada interna da urna, mesmo que o equipamento mantenha formato externo semelhante ao das últimas décadas. Cada unidade possui um certificado digital individual e assina criptograficamente os arquivos que gera, o que, na prática, permite identificar a origem dos dados de cada seção eleitoral antes de contabilizar os resultados recebidos pelo TSE.
Foram também enfatizados os avanços de acessibilidade: recursos de áudio para eleitores com deficiência visual, teclado com relevo e respostas táteis, e a inclusão desde 2020 de um intérprete virtual em Libras na tela da urna. Do ponto de vista logístico, Valente admitiu o desafio de levar equipamentos a áreas de difícil acesso e explicou que as urnas destinadas a comunidades ribeirinhas e pontos remotos já estão em fase final de preparação e deslocamento, enquanto as unidades para capitais recebem agora a inserção dos códigos-fonte e dos dados de candidatos e eleitores.
A narrativa do TSE busca traduzir tecnologia em elemento de confiança pública. As iniciativas — testes públicos regulares, certificação individual das urnas e recursos de acessibilidade — respondem tanto a exigência operacional quanto ao custo político de qualquer suspeita sobre o sistema. Ainda assim, o próprio modelo físico-offline das urnas e a logística para áreas remotas mantêm variáveis que podem influenciar o cronograma de divulgação dos resultados na noite da votação; por isso, transparência e comunicação clara do tribunal continuam essenciais para reduzir dúvidas e preservar a credibilidade do processo.