Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno, o ambiente eleitoral está mais marcado por episódios de crise — como o caso Master e os desdobramentos no STF — do que por discussão de programas. Esse deslocamento reduz a capacidade do eleitor de comparar projetos e aumenta o risco de escolhas pautadas por ruídos jornalísticos, em vez de avaliação de conteúdo. A situação acende alerta: é hora de votar com método, não por impulso.

1) Conheça quem financia: identifique fontes de recursos e doações do candidato e do partido. O padrão de financiamento sinaliza prioridades e possíveis compromissos. 2) Leia propostas com foco no impacto: em vez de slogans, procure estimativas, metas e como as medidas afetariam seu cotidiano — emprego, serviços públicos e cargas tributárias. 3) Entenda suas prioridades: avalie quais propostas servem ao seu perfil socioeconômico; empresários, assalariados e autônomos tendem a ter demandas diferentes.

4) Saiba o que cada cargo pode fazer: diferencie promessas executáveis por presidentes, governadores e prefeitos daquelas típicas de legisladores. Deputados e senadores definem orçamentos e emendas, mas não executam obras — atenção a candidatos que prometem realizações que não cabem ao seu cargo. 5) Desconfie de propostas genéricas e dos ‘puxadores de voto’: promessas vagas costumam esconder falta de projeto técnico. 6) Verifique histórico e propostas de gênero e representação: mulheres são 53% do eleitorado, mas somam 15 das 81 cadeiras no Senado e 91 dos 513 na Câmara; essa discrepância tem efeito prático nas prioridades legislativas.

O déficit de informações e a ênfase em crises institucionais aumentam a chance de escolhas erradas e de fortalecimento de candidaturas sem base programática. Votar com critério significa cruzar dados: financiamento, currículo, programa detalhado e compatibilidade entre promessas e competências legais. Esse filtro não elimina risco político, mas reduz a probabilidade de eleger representantes cujas propostas sejam incompatíveis com a realidade administrativa e fiscal do país.