O governo acelerou a ofensiva no Senado para aprovar a PEC que acaba com a escala 6x1 ainda neste mês. Antes do início da primeira sessão de discussão, o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou haver um entendimento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para realizar três sessões de debate nesta semana e pautar a votação em primeiro e segundo turnos na semana seguinte, informação que disse ter recebido do ministro da Secretaria-Geral, José Guimarães.
Wagner detalhou o roteiro: sessões na terça, quarta e quinta-feira, com a expectativa de reunir quorum mínimo — estimado por ele em 41 senadores para abrir as discussões — e, posteriormente, os 49 votos necessários para aprovar a emenda constitucional. O senador cobrou publicamente quem for contrário à proposta: que apareça e registre o voto. A cobrança coloca a oposição diante de um dilema político: obstruir por ausência ou protagonizar o voto contrário no plenário.
O líder do PL, Flávio Bolsonaro, voltou a criticar a proposta e apresentou como alternativa a liberdade para que o trabalhador organize sua jornada, qualificando a iniciativa do governo como oportunista no meio do mandato. Wagner, por sua vez, acusou aliados de Flávio de tentar esvaziar o plenário para barrar o avanço da matéria — uma tática que mudaria o foco do debate para a estratégia parlamentar da oposição.
O episódio acende alerta para o governo: avançar rápido pode garantir a vitória legislativa, mas também expõe o Executivo a custo político e a narrativas de pressa ou oportunismo. Para a oposição, a escolha entre presença e obstrução é um teste de coerência pública que pode amplificar desgaste político ou, ao contrário, tornar explícita a opção contrária à mudança. O calendário agora impõe um teste de resistência e de negociação para os dois lados.