O Senado aprovou na noite de quarta-feira a proposta que põe fim à escala 6x1, com placar de 75 a 1, em votação que ajudou a dividir reações entre trabalhadores e empresários. Centrais sindicais saíram em tom de comemoração, destacando ganhos sobre a qualidade de vida e a redução da jornada para 40 horas semanais. Do outro lado, confederações patronais classificaram a medida como potencial retrocesso econômico e pedem ao Congresso reavaliação técnica dos efeitos sobre competitividade e custos.
Pela PEC aprovada, a transição para a nova organização do trabalho prevê descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana no formato 5x2 e redução gradual da jornada: 60 dias após promulgação as empresas deverão adotar escala 5x2 e limitar a jornada a 42 horas semanais, com redução para 40 horas após mais 12 meses — um prazo total de 14 meses. Centrais como a CUT e a Força Sindical enxergam na mudança uma vitória histórica e afirmam que a medida beneficiará milhões, ampliando tempo para saúde, família e qualificação profissional.
Entidades empresariais, porém, ressaltam riscos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou que a mudança pode elevar custos de produção em até R$ 267 bilhões, com impacto negativo no PIB e efeito inflacionário, e pediu ao Congresso que reabra o tema diante de evidências econômicas adversas. O Ipea, em estudo citado na discussão, indica que o aumento do custo para as empresas pode variar por setor — de cerca de 1% na média até 6,6% em segmentos como vigilância e segurança — reforçando a necessidade, segundo empresários, de avaliação setorial detalhada.
Além do debate técnico, a aprovação traz consequências políticas. A matéria recebeu apoio ampliado após o presidente do Senado pautar o tema e mesmo oposicionistas mudarem o voto, sinalizando como a tramitação legislativa pode ser moldada por decisões de mesa. Representantes do setor produtivo também criticaram o calendário eleitoral e pediram diálogo aprofundado. A frente sindical, por sua vez, vê na vitória argumento político para propostas futuras. Resta ao Congresso conciliar ganhos sociais anunciados com a agenda de produtividade e custos — um nó que promete retornar ao centro das negociações nos próximos meses.