O plenário do Senado aprovou em dois turnos a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1 e prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas. A matéria passou com 75 votos a favor e apenas um contra — o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A votação ocorre a menos de duas semanas do segundo turno e coloca em destaque uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Lula.

A tramitação acelerada da PEC, que chegou ao Senado há cinco meses, só avançou após melhora na relação entre o Palácio do Planalto e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). A aprovação foi celebrada por Lula e pelos autores da proposta na Câmara, Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSol-SP), que definiram o resultado como uma vitória histórica para os trabalhadores. Nas redes, o presidente tratou o episódio como um marco político; no Congresso, a votação também teve tom de campanha.

A oposição tentou esvaziar sessões e articular adiamento, alegando necessidade de debate sobre os efeitos para o setor empresarial. Parlamentares do PL e do PP liberaram suas bancadas e vários senadores não compareceram: Sergio Moro, Márcio Bittar e Rogério Marinho ficaram ausentes das votações. Líderes de legenda e representantes do mercado seguiram questionando o impacto econômico e pediram mais estudos antes da mudança entrar em vigor.

Embora tenha votado a favor remotamente, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia criticado a PEC durante a campanha e seu recuo expôs tensão interna na base: aliados já sinalizam que podem buscar revisões no texto. O coordenador de campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, classificou a discussão como 'oportunista' na véspera, e a mudança de posição tende a alimentar críticas sobre coerência programática do candidato e custo político do ajuste de discurso.

A PEC ainda precisa ser promulgada para começar a valer; a data não foi definida, o que deixa em aberto o calendário de implementação e o espaço para eventuais emendas, vetos ou disputas judiciais. Politicamente, a aprovação dá a Lula um tema social forte para o segundo turno, mas também acende alerta para empresários e reforça a necessidade de vigilância sobre o texto final — tanto na Câmara quanto no Supremo — diante do potencial impacto econômico e das reações à margem do processo eleitoral.