O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), declarou confiança pública no avanço da PEC 221/2019 — a proposta que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial. “Vamos aprovar”, disse o senador ao Correio, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tenta forçar um calendário especial para votar os dois turnos no mesmo dia (14/10), uma estratégia que comprime o rito legislativo e acelera a conclusão da matéria.
Nos bastidores, a mudança de posição do senador Flávio Bolsonaro (PL), que passou a declarar apoio ao fim da escala 6x1, teve efeito prático na articulação: segundo Jean Castro, presidente da ABRIG, o recuo dificultou a formação de uma frente contrária e facilitou o trabalho de Alcolumbre. Castro afirmou que Davi ‘prometeu a Lula e vai entregar’ e avaliou que a adesão de Flávio deixou oposicionistas em situação desconfortável para votar contra a proposta. Ainda que haja espaço para recursos regimentais, a avaliação pública é de que eles apenas adiarão, por horas, o desfecho.
Politicamente, a tentativa de acelerar a votação antes do segundo turno dá à aprovação um valor simbólico e prático para o governo: é uma bandeira central da agenda que pode ser explorada eleitoralmente e representa um ganho concreto caso seja aprovada com os 49 votos necessários por turno. Para a oposição, a combinação de calendário apertado e perda de aliados torna mais difícil montar resistência eficaz sem sofrer custo político.
Resta ao Senado conciliar pressão política e técnica legislativa: a votação em turno único amplia o custo político de um eventual empate ou derrota, e a promessa de alterações no texto por parte de Flávio Bolsonaro — que defende maior flexibilidade na organização das jornadas — pode abrir espaço para emendas de última hora. O cenário aponta para um desfecho rápido, mas com potencial para controvérsias regimentais e negociação de redação final que podem moldar o alcance das mudanças para trabalhadores e empresas.