A definição do rito para a proposta que extingue a escala 6 x 1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas ficará a cargo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), nos próximos dias. Senadores afirmam que uma reunião de líderes deverá marcar o encaminhamento, enquanto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) terá papel decisivo ao receber as duas PECs que tramitam simultaneamente. A intenção formal é abrir espaço para audiências com trabalhadores, empregadores e sindicatos, mas o intervalo para essa discussão ainda não foi acertado.

A situação ganhou complexidade depois que parlamentares do PL apresentaram um texto alternativo — com cerca de 40 assinaturas, entre elas a do senador Flávio Bolsonaro (RJ) — que aposta em um regime mais flexível, baseado em horas negociadas entre empregado e empregador. O envio das duas propostas para a mesma comissão foi lido por aliados e adversários como uma sinalização de que o Senado quer avaliar alternativas, mas também oferece ao presidente da Casa margem para controlar calendário e conteúdo. Caberá a Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, definir ritmo e eventual realização de audiências públicas.

No palco político, a movimentação acende alerta para o Palácio do Planalto. O governo tem interesse em acelerar a tramitação: o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse publicamente esperar a aprovação antes do recesso de julho, e lideranças governistas falam em concentrar esforços em junho. Do outro lado, senadores da oposição pedem cautela e estudo dos efeitos econômicos, especialmente sobre micro e pequenas empresas e parcelas mais vulneráveis da força de trabalho. A controvérsia entre proteção trabalhista e flexibilidade contratual expõe uma tensão: propostas que prometem modernizar a jornada podem, segundo críticos, reduzir garantias consolidadas.

A disputa promete repercussões políticas concretas: aceleração pode gerar custo político diante de sindicatos e frações do eleitorado trabalhador; a demora, por sua vez, amplia incerteza regulatória para empresas. Mais do que técnica, a decisão sobre o rito é estratégica: define quem conduz as audiências, que pontos serão prioritários e o tempo disponível para emendas. O próximo passo é a reunião de líderes e a escolha do calendário na CCJ — atos que vão medir a capacidade da base de transformar intenção em voto e a habilidade do Senado em conciliar pressa e legitimidade.