O Senado retomou os trabalhos sob a coordenação do presidente Davi Alcolumbre, mas em ambiente de negociação travada. A proximidade das eleições de outubro bloqueia acordos formais entre as lideranças e limita a votação de matérias de maior apelo ideológico ou impacto fiscal. A definição de pauta sem reunião com líderes evidencia a dificuldade de costurar consensos neste momento político.

Na lista de projetos previstos há iniciativas de peso: criação do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), propostas para criação de fundos destinados ao Judiciário, Ministério Público e Defensoria, além de estatutos como o do Aprendiz e da Vítima. Muitos desses textos enfrentam resistência política ou carecem de relatoria definida — como no caso do Estatuto da Vítima — o que compromete sua inclusão efetiva em plenário.

A necessidade de analisar medidas provisórias com prazos próximos de vencimento amplia a pressão sobre o Congresso. Entre os prazos citados estão a MP que abre linhas de crédito do Plano Brasil Soberano (vigência até 26/8), a ampliação do Fundo Garantidor para Investimentos para veículos sustentáveis (até 27/8) e o Desenrola Brasil, cuja validade termina em 31/8. A combinação de urgência técnica e desgaste político tende a empurrar decisões complexas para além do calendário eleitoral.

Há também conflitos concretos entre Parlamento e Executivo: o governo negocia com a Frente Parlamentar Agropecuária uma medida provisória para tratar da renegociação de dívidas rurais, buscando evitar a aprovação de um texto do Senado que implicaria impacto fiscal relevante. Propostas governistas, como a PEC que reduz a jornada para 40 horas e a PEC da Segurança, igualmente patinam sem maioria clara, expondo limites da articulação do Planalto no Congresso em ano eleitoral.

Além da pauta legislativa, cerca de 100 dispositivos vetados e 23 projetos aguardam deliberação em sessão conjunta, segundo relato da presidência. A tendência de postergar votações sensíveis até novembro aponta para custo político e institucional: a postergação fragiliza a percepção de agenda produtiva, amplia a judicialização de temas controversos — como alterações nas regras de tributação de pequenas importações — e deixa pendente o ajuste necessário entre prioridades fiscais e pressões setoriais.