Em decisão inédita, o plenário do Senado rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal. Foram 42 votos contrários e 34 favoráveis; eram necessários ao menos 41 de 81 senadores para aprovar a nomeação. Com a votação, a indicação foi arquivada — a primeira recusa a um indicado ao STF em mais de 130 anos. A votação levou pouco mais de sete minutos e, após o resultado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encerrou a sessão por volta das 19h15. Parlamentares da oposição comemoraram; membros da base governista manifestaram surpresa diante do placar.
O nome de Messias foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há cerca de cinco meses, mas a mensagem oficial (MSF 7/2026) só chegou ao Senado no início de abril. A vaga surgiu com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, que deixou o Tribunal em outubro de 2025. Na Comissão de Constituição e Justiça, Messias havia sido aprovado por 16 votos a 11; o relator Weverton Rocha chegou a estimar entre 45 e 48 votos favoráveis no plenário — projeção que não se confirmou.
Politicamente, a rejeição representa um revés claro para o governo. Além do simbolismo histórico, o resultado expõe falha de articulação e amplia desgaste junto ao Congresso, forçando a Presidência a repensar critérios e estratégia para escolhas futuras. A derrota também acende alerta sobre a capacidade da base de garantir votos em temas sensíveis e aumenta a pressão por uma nova negociação com lideranças no Senado.
Institucionalmente, o Senado reabre um capítulo de incerteza: será necessário apresentar um novo nome e reiniciar o processo de sabatina e votação, num cenário em que a interlocução entre Executivo e Senado já se mostra tensa. A rejeição reforça a volatilidade política em torno de indicações ao Judiciário e eleva o custo político de futuras tentativas do governo de emplacar ministros na mais alta corte.