A senadora eleita por Santa Catarina Carol De Toni (PL) colocou no centro de sua agenda legislativa a chamada 'moralização' do Judiciário e defendeu publicamente o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Em entrevista à rádio Condá FM, ela afirmou que haverá processo contra ministros que, na visão dela, se coloquem acima da lei, e associou a possibilidade de substituição de integrantes do Supremo à vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.
O discurso de De Toni coloca em evidência uma estratégia já visível entre parlamentares de direita eleitos para o Senado: transformar a composição do STF em alvo político imediato. O resultado da disputa presidencial tem papel determinante nessa equação: há hoje uma cadeira aberta por aposentadoria de Luís Roberto Barroso e outras três vagas previstas até 2030, o que daria ao sucessor do presidente eleito a chance de indicar até quatro ministros, sujeitos à aprovação pelo Senado.
O movimento ganha combustível em episódios recentes que fragilizaram a confiança em parte da Corte, como as investigações sobre relações entre ministros e o Banco Master e o contrato de R$ 131 milhões entre a instituição e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. A Polícia Federal levantou registros no telefone do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que foram objeto de disputa pública; Moraes negou a existência dos diálogos atribuídos a ele e contestou a leitura do relatório da PF. Esses elementos têm sido usados por opositores para justificar pedidos de impeachment, mas não substituem exigência de provas concretas para o afastamento de magistrados.
A declaração de De Toni acende alerta para a possibilidade de crescente politização do processo de nomeação e eventual remoção de ministros, o que pode intensificar o confronto entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Para o Senado, a agenda implica pressão adicional no crivo das sabatinas e na definição de critérios que preservem a estabilidade institucional. A senadora eleita chega ao mandato com votação expressiva — 2.694.918 votos, 33,46% dos válidos — e assumirá em fevereiro de 2027 ao lado de Carlos Bolsonaro; a performance política de parlamentares como ela será fator central na disputa sobre o futuro da Corte.