A PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) em 28 de maio e subscrita por cerca de 40 senadores, passou a colocar no foco eleitoral nomes que defendem uma alternativa à redução da jornada e ao fim da escala 6x1. A proposta propõe permitir que trabalhadores optem entre o regime CLT tradicional e um modelo flexível de horas, com remuneração e benefícios proporcionais; os críticos batizaram a iniciativa de "escala 7x0" e alertam para risco de perda de descansos garantidos hoje por acordos coletivos.
Levantamentos da Quaest em quatro estados indicam que alguns signatários aparecem entre os competitivos para as duas vagas ao Senado, mas em nenhum caso com liderança isolada. Em Minas Gerais, Carlos Viana (PSD) registra 8% na pesquisa de 25 de agosto (1.506 entrevistados; margem de erro 2 pontos), tecnicamente empatado com outros nomes do pelotão intermediário enquanto Marília Campos (PT) lidera com 15%. Em Goiás, Vanderlan Cardoso figura com 9% na pesquisa divulgada em 27 de agosto (804 entrevistas; margem de erro 3 pontos), dentro de um quadro apertado em que Gracinha Caiado aparece numericamente à frente.
No Pará, Zequinha Marinho (Podemos) aparece atrás de líderes como Helder Barbalho (MDB) e Éder Mauro (PL), mas perto o suficiente para manter-se na disputa, segundo o levantamento mais recente. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho (PL) também surge entre os nomes em posição competitiva nas sondagens divulgadas. O quadro comum a esses estados é a competitividade sem hegemonia: a assinatura da PEC dá visibilidade eleitoral, mas não converte, por ora, em vantagem decisiva nas intenções de voto.
Politicamente, o alinhamento público à PEC expõe os senadores a dois riscos imediatos: amplifica desgaste junto a sindicatos e categorias organizadas que rejeitam flexibilizações e, ao mesmo tempo, oferece munição à oposição numa campanha que terá forte componente trabalhista. Com a pauta sobre jornadas prevista para votação na semana de esforço concentrado do Senado e o relatório favorável ao fim da 6x1 já circulando na CCJ, o timing legislativo aumenta a pressão sobre candidatos governistas — que precisarão calibrar discurso e base de apoio para não transformar a assinatura em custo eleitoral em outubro.