O risco de um 'super' El Niño entre 2026 e 2027 elevou a pauta de prevenção no Senado após despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que deu prazo de 10 dias úteis para a União e os estados da Amazônia Legal e do Pantanal apresentarem planos de prevenção e combate a incêndios. Parlamentares dizem que o cenário exige reforço imediato da coordenação nacional e maior capacidade operacional dos entes subnacionais.
O senador Hamilton Mourão destacou a mobilização do Congresso desde as enchentes do Rio Grande do Sul em 2024 e citou medidas aprovadas em caráter emergencial, como liberação do FGTS para famílias afetadas e pressão por recursos a produtores rurais. Mourão advertiu, porém, que estados e municípios ainda dependem em larga medida de repasses federais e operam com estruturas insuficientes para responder a eventos extremos.
Em resposta ao risco, o senador Esperidião Amin anunciou sessão temática no Senado para discutir impactos do fenômeno e estratégias de prevenção, com foco na Amazônia, no Pantanal e na Região Sul. Entre as propostas levantadas pelos parlamentares estão o fortalecimento do Sistema Nacional de Defesa Civil, investimentos em equipamentos e treinamentos municipais e a tramitação do Projeto de Lei 3.614/2024 para ampliar a capacidade de resposta estatal.
O despacho de Dino se apoia em nota técnica do Cemaden, que aponta probabilidade elevada de temperaturas acima da média e estiagens persistentes, com impacto similar ao observado em 2023–2024. Apesar da redução de focos em 2025, especialistas e senadores avaliam que a ausência de coordenação e de investimento preventivo amplia riscos e transfere custo operacional e político aos estados — um sinal de alerta para o governo sobre a necessidade de agir com rapidez e transparência.