A candidatura do ex-juiz Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná foi oficialmente contestada no Tribunal Regional Eleitoral do estado. A coligação "A Mudança Continua", liderada pelo PSD paranaense, protocolou pedido de indeferimento apontando que o plano de governo não foi anexado ao registro apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral, o que, na visão dos autores, configuraria uma omissão essencial no procedimento formal.

Do ponto de vista processual, o argumento do PSD mira uma falha burocrática com efeito político: sem a formalização correta no TSE, a equipe de campanha não conseguiria, segundo o advogado Diego Campos, abrir o CNPJ de campanha e produzir material gráfico de propaganda eleitoral. A prática pode parecer técnica, mas pode travar a estrutura logística necessária para a disputa estadual.

A defesa de Moro rebate que não há irregularidade, lembrando que a legislação eleitoral admite a complementação de documentos até 15 de agosto, e que a apresentação posterior do plano de governo, dentro do prazo legal, não comprometeria o registro. Ainda assim, a existência do processo no TRE-PR acende alerta político: a disputa judicial expõe vulnerabilidades operacionais e aumenta o desgaste da candidatura em fase inicial.

Se o tribunal admitir a ação, Moro terá 72 horas para apresentar o plano ao TSE; o não atendimento pode resultar em indeferimento, com possibilidade de recurso. Independentemente do desfecho, a controvérsia tende a pressionar alianças e a narrativa da campanha, transformando um detalhe documental em teste para a capacidade de reação e para a robustez do projeto eleitoral no Paraná.