A definição do vice na pré-campanha de Flávio Bolsonaro segue como peça central da estratégia para 2026. Entre nomes que já circulam com força — como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) — a deputada Simone Marquetto (PP-SP) emerge como alternativa que pretende costurar um diálogo com o eleitorado religioso e com segmentos femininos, tentando traduzir presença regional e apelo social em ganho eleitoral concreto.

Marquetto trata a hipótese com tom de missão e busca evitar a leitura de mera instrumentalização religiosa. No discurso público, combina referências à fé com agenda social — creches, geração de emprego e autonomia feminina — para escalar sua proposta além da retórica moral e mirar eleitores indecisos ou desconectados das bases tradicionais do bolsonarismo.

Vejo isso como uma missão.

O interesse estratégico tem fundamento num cenário demográfico e de preferência eleitoral: pesquisas recentes do DataSenado indicam que evangélicos mostram maior inclinação à direita (35%) e alto percentual de não posicionados (42%), enquanto católicos aparecem mais fragmentados. O Censo 2022 do IBGE registra 26,9% de evangélicos, crescimento que altera o mapa religioso e eleitoral do país, potencializando a relevância de candidaturas com apelo nesses segmentos.

Apesar do discurso conciliador, o nome de Marquetto enfrenta resistência interna. Tereza Cristina é vista por setores do PL e do agronegócio como favorita, e a própria deputada reconheceu seu peso, adotando tom comedido sobre a disputa. Ao mesmo tempo, há articulação dentro do partido em torno da vantagem simbólica de uma mulher na vice-presidência, sugerida como resposta à rejeição e como forma de reposicionar a candidatura.

A escolha final terá custo-benefício político evidente: um nome com forte identificação religiosa e apelo feminino pode ampliar a base em São Paulo e entre mulheres, mas também exige equilíbrio para não desagradar forças que dão sustentação econômica à campanha. A decisão seguirá sendo tratada nos bastidores como teste de prioridades — ampliar alianças ou consolidar lealdades internas — e será um indicador claro da estratégia que a chapa adotará na reta para 2026.

Não se trata do uso da Igreja Católica ou da Igreja Evangélica, mas da união de pessoas que compartilham a fé e o projeto de deixar um legado para o Brasil.