A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) classificou como uma "grave ameaça ao exercício do jornalismo" a operação que levou à identificação de uma suposta fonte de um profissional da imprensa no Maranhão. A manifestação ocorreu depois que o ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou uma ação da Polícia Federal contra o ex-secretário Raimundo Cutrim, apontado nas diligências como fonte do jornalista Luís Pablo Almeida, investigado por suposta perseguição ao ministro Flávio Dino.

Segundo as apurações, a PF chegou ao nome de Cutrim por meio do exame de equipamentos apreendidos na casa do jornalista em março, quando o próprio Almeida sofreu busca e apreensão determinada por Moraes. No computador do repórter, os agentes acessaram o WhatsApp Web e identificaram conversas que, conforme as diligências, vinculavam Cutrim a reportagens sobre uso de veículos oficiais pela família do governador. A investigação também aponta uma transferência de R$ 100 mil via advogado, fato que o jornalista nega, alegando tratar‑se de um empréstimo para compra de imóvel.

A SIP e representantes de veículos e associações nacionais reagiram em conjunto: para a entidade internacional e para líderes do setor no Brasil, permitir que dispositivos de um jornalista sejam usados para identificar suas fontes fragiliza uma garantia essencial ao jornalismo investigativo. ANJ, Abert e Aner publicaram nota afirmando que medidas que implicam quebra de sigilo de fontes não encontram amparo constitucional e podem intimidar profissionais e informantes, além de comprometer o direito da sociedade a informações de interesse público.

A repercussão política e institucional é imediata: além de levantar questionamentos sobre limites das medidas judiciais contra jornalistas, o caso acende debate sobre segurança jurídica e proteção das investigações jornalísticas. A SIP pediu revisão das decisões que possam comprometer a confidencialidade das fontes; do ponto de vista prático, o episódio tende a estimular demandas por clarificação de padrões legais e a aumentar a pressão sobre o Judiciário para resguardar, claramente, o sigilo profissional sem impedir investigações legítimas.