Começou a circular esta semana um site que promete distribuir tokens — ativos digitais — a usuários que compartilharem mensagens favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro. A iniciativa foi reportada pela Folha de S.Paulo e envolve vídeos de um grupo identificado como Hyperkids, de Uganda, que aparecem promovendo o novo token e citando nomes ligados à campanha, como Nikolas Ferreira e Pablo Marçal. A campanha de Flávio disse desconhecer os responsáveis pelo site e afirmou que adotará medidas judiciais para derrubar a página, negando contratação de perfis para divulgação de conteúdos eleitorais.
A movimentação acende alerta jurídico e político. A Lei das Eleições veda a veiculação de propaganda eleitoral paga na internet fora das hipóteses autorizadas; a oferta de vantagem econômica atrelada à divulgação de conteúdo político pode configurar burla à legislação. Especialistas consultados afirmam que a promessa de recompensa financeira por apoio eleitoral cria um problema claro de legalidade e de fiscalização, sobretudo quando operadores e plataformas ficam fora do alcance direto da Justiça Eleitoral. A coligação que apoia a reeleição do presidente Lula levou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral, pedindo identificação dos responsáveis e apuração de possíveis crimes eleitorais, incluindo uso de estrutura comercial para aliciamento de eleitores.
Politicamente, mesmo com a negativa formal da equipe de Flávio, o episódio complica a narrativa oficial e aumenta a pressão sobre o candidato para demonstrar ausência de vínculo. A denúncia à PGE e a exposição pública do esquema podem resultar em investigação que, no curto prazo, gera desgaste e exige resposta rápida da campanha e das plataformas envolvidas. Resta acompanhar se a PGE conseguirá rastrear a origem dos tokens e se a Justiça Eleitoral tratará o caso como precedência para coibir a crescente utilização de ativos digitais em disputas políticas.