A presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da Sociedade Interamericana advertiu sobre o risco à proteção das fontes jornalísticas após investigações que apontam uso de equipamentos de um repórter para identificar contatos. A entidade classificou a prática como capaz de minar a confiança necessária ao jornalismo investigativo e de prejudicar o direito da sociedade a informações de interesse público.

No caso em análise, a Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 100 mil a favor de Luís Pablo por meio de um advogado. Há suspeita de que o valor tenha relação com publicações contra o ministro Flávio Dino, suspeita que o jornalista nega: ele afirma tratar‑se de um empréstimo para aquisição de imóvel. A decisão que autorizou buscas contra o ex‑secretário Cutrim e todo o inquérito corre sob segredo de Justiça.

Fontes consultadas pelo Correio dizem que a PF não encaminhou ao Supremo um relatório conclusivo sobre eventual crime do jornalista, mas pedidos para aprofundar apurações. As diligências tiveram aval da Procuradoria‑Geral da República. Esse conjunto de fatos, em especial se confirmado o uso de dispositivos para identificar fontes, abre precedente que especialistas em imprensa consideram perigoso.

Politicamente, o episódio acende alerta: além do impacto imediato sobre a imprensa, a investigação pode ampliar desgaste institucional, gerar reações no Congresso e obrigar o governo e órgãos de controle a explicitar critérios e limites para atuação investigativa. A sociedade ganha com transparência e com garantias robustas ao sigilo das fontes; sem elas, investigativo e interesse público ficam mais vulneráveis.