A deputada Soraya Santos (PL-RJ) anunciou nesta segunda-feira (13) a retirada de sua candidatura à vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), decisão que chega às vésperas da votação e consolida o movimento do PL em apoiar o deputado Elmar Nascimento (União-BA). A mudança reduz a fragmentação no campo oposicionista e cria um único nome para enfrentar o candidato apoiado pelo governo, Odair Cunha (PT-MG).
Fontes ouvidas pela reportagem, sob condição de anonimato, dizem que houve pressão interna para que Soraya saísse da disputa com o argumento de evitar que a divisão de votos favorecesse o nome governista. A bancada do PL já vinha articulando a migração de apoio como alternativa de unificação; mais cedo, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) também havia desistido da candidatura.
Em discurso, Soraya enquadrou a saída como gesto em favor de um “projeto maior” e ressaltou a mobilização feminina pela representatividade no Judiciário. Cobrou compromisso para que futuras vagas no TCU e no STJ sejam ocupadas por mulheres e criticou a prática de acordos fechados por líderes sem ampla consulta à bancada, uma reclamação que expõe fissuras internas.
Politicamente, a retirada reforça a estratégia oposicionista de concentrar votos e complica a tentativa do governo de emplacar Odair Cunha. Ao mesmo tempo, revela o custo político de acordos de cúpula: líderes que impõem decisões correm o risco de desgaste junto à base e de gerar demandas públicas — como a promessa de vagas femininas — que poderão cobrar efeitos práticos nas próximas negociações institucionais.