Durante a sabatina nesta segunda-feira (13/4) na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, a deputada Soraya Santos (PL-RJ) colocou a ampliação da presença feminina no Tribunal de Contas da União como eixo central de sua candidatura. Ao qualificar a disputa como uma 'correção histórica', a parlamentar ressaltou que a ausência de mulheres na Corte não reflete a composição da sociedade e cobrou mudanças concretas na formação do tribunal.

Soraya descreveu ainda o caminho político que a levou à disputa: disse ter sido convidada após diálogo com o senador Flávio Bolsonaro e que a retirada da candidatura de Hélio Lopes foi um gesto para viabilizar sua postulação. O episódio expõe a lógica de articulação partidária por trás das indicações ao TCU e mostra que, além do argumento de diversidade, há uma negociação política que viabiliza vagas em cortes e tribunais.

“São 133 anos, só duas ministras. E essa é a angústia de todo mundo. A sociedade não aceita mais isso.”

Ao rebater críticas sobre sua postulação, a deputada afirmou que mulheres enfrentam tentativas de desqualificação ao ocupar espaços de poder e citou transformações em outras instituições, como a OAB, como exemplos de avanço. A sabatina deixou claro que a discussão ultrapassa nomes: trata-se do reconhecimento de uma sub-representação histórica que, segundo Soraya, exige medidas estruturadas para inclusão.

Politicamente, a candidatura busca conciliar pressão social por diversidade com a necessidade do PL de ocupar espaços institucionais estratégicos. Se acolhida, a indicação teria caráter simbólico importante, mas não resolve a ausência crônica de paridade no TCU, exigindo que a sociedade e o Legislativo cobrem mudanças efetivas — e não apenas trocas casadas de nomes. A disputa também tende a aumentar o escrutínio sobre os critérios usados para nomeações.