A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) confirmou que caminhará ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste ano e que terá o apoio do petista em sua tentativa de renovar o mandato no Senado. A definição saiu após reunião na quinta-feira (16/7), quando Lula reafirmou o respaldo à candidatura da parlamentar por Mato Grosso do Sul, segundo relato de interlocutores do encontro.
Um dos pontos centrais da aproximação, segundo Soraya, foi o compromisso do governo com a ampliação da presença feminina na política. A senadora disse ter considerado decisivo o posicionamento do presidente sobre a necessidade de fortalecer candidaturas de mulheres ao Congresso — argumento que ajudou a consolidar a aliança entre uma parlamentar que ocupou espaço no bolsonarismo em 2018 e o núcleo do atual Planalto.
A costura política se apoia também na filiação recente de Soraya ao PSB, partido pelo qual deixou o Podemos em abril e que integra a base aliada do governo. Ainda há gestos diplomáticos no nível local: ela recusou o convite para disputar como suplente do deputado federal Vander Loubet (PT-MS), pré-candidato ao Senado, mas afirmou que ambos trabalharão para eleger as duas vagas em disputa no estado. Esse arranjo, porém, pode exigir negociações finas entre PT e aliados regionais para evitar sobreposição de candidaturas e fricções na campanha.
Politicamente, a aliança sinaliza a estratégia do Planalto de ampliar a coalizão incorporando figuras dissidentes da direita tradicional. Para Soraya, o movimento representa uma transição pública de posicionamento — ela deixou a base bolsonarista após 2018 e, em 2022, filiou-se ao União Brasil antes de se distanciar do ex-presidente. No plano prático, o acordo oferece ao governo uma peça de agregação em MS e reforça a pauta da participação feminina; ao mesmo tempo, introduz desafios de articulação local e expõe tensões entre coerência ideológica e cálculos eleitorais.