O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, publicou nas redes sociais nesta quarta para saudar a proposta do presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, de criar um selo que identifique institutos com maior aderência aos resultados das urnas. A manifestação veio horas após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest que aponta 40% para Lula e 28% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, diferença de 12 pontos registrada pelo instituto entre 10 e 13 de julho (2.004 entrevistas; margem de erro de 2 pontos).
Pela minuta apresentada pelo TSE, o reconhecimento — batizado de 'Selo Acurácia Eleitoral' — seria concedido após o segundo turno e consideraria somente boca de urna e levantamentos realizados nos sete dias que antecedem a votação, desde que registrados no PesqEle. A proposta chega em um momento de atrito entre a Corte e empresas de pesquisa, após a suspensão em junho de um levantamento da AtlasIntel por suspeita de indução do eleitor. Institutos têm até sexta-feira para enviar sugestões aos critérios.
O setor tem reagido. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) ressaltou que levantamentos retratam intenções num dado momento e não prometem resultados definitivos, lembrando que eleitores mudam de opinião entre a entrevista e o voto. Diretores de institutos ouvidos no encontro com o ministro demonstraram preocupação com o recorte temporal e com a possibilidade de o selo funcionar como rótulo que estigmatize metodologias divergentes.
A adesão pública de Sóstenes, que também atacou a Quaest por suposta parcialidade, dá leitura política ao movimento: aliados com resultados desfavoráveis ganham argumento para questionar levantamentos contrários e para pressionar por critérios que privilegiem previsibilidade sobre diversidade metodológica. A disputa entre TSE e institutos coloca em pauta não só técnica estatística, mas o equilíbrio entre supervisão institucional e autonomia do mercado de pesquisa, num momento sensível para 2026.