A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender a aplicação da nova Lei da Dosimetria ganhou repercussão imediata no Congresso e intensificou a ofensiva da oposição para levar adiante a PEC da Anistia. Em entrevista, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que a medida surpreendeu parlamentares envolvidos na redação do texto e reavivou a mobilização para pressionar a votação da proposta que trata da situação de envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

A lei, aprovada pelo Legislativo com objetivo de alterar critérios para a fixação de penas relacionadas aos condenados pelos atos de janeiro, teve sua eficácia suspensa no sábado. Moraes pediu esclarecimentos ao Congresso sobre a validade da derrubada do veto presidencial e suspendeu a análise de pedidos baseados na nova norma. Para Sóstenes, a atitude do ministro contrasta com acordos já firmados por parte do relator e por integrantes da base, o que alimentou um sentimento de surpresa entre os parlamentares que acompanharam a tramitação.

O líder do PL anunciou que a oposição fará reuniões nos próximos dias para definir rota de pressão sobre Câmara e Senado. Segundo ele, haverá coordenação com o senador Rogério Marinho (PL-RN), que chefia a bancada oposicionista no Senado, e encontros com aliados para traçar estratégias de votação e mobilização. A articulação busca transformar o revés judicial em impulso político em torno da PEC, como caminho alternativo para responder às demandas do grupo.

O episódio expõe um ponto de tensão institucional: ao mesmo tempo que o Congresso aprovou a mudança — e atribui consenso a líderes do processo legislativo —, o Supremo interrompeu sua aplicação, o que alimenta narrativa de contradição entre poderes. Para a oposição, a suspensão aciona instrumentos políticos e parlamentaristas para forçar a votação constitucional. O desfecho dependerá da capacidade de mobilização dos partidos e da resposta do Judiciário às consultas solicitadas, mas a movimentação deixa claro que a disputa vai além do mérito jurídico e tem consequências diretas para o ambiente político no Congresso.