O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou uma série de medidas cautelares no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura uma suposta organização criminosa vinculada ao banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão descreve dois núcleos operacionais: um dedicado a intimidações presenciais e obtenção de dados sigilosos; outro especializado em ataques cibernéticos, derrubada de perfis e monitoramento ilegal.
Segundo a representação da PF, o grupo apelidado de 'A Turma' teria promovido ameaças, levantamentos clandestinos e acessos indevidos a sistemas governamentais, enquanto o núcleo chamado 'Os Meninos' concentraria as ações telemáticas. A Polícia Federal pediu prisão preventiva de sete investigados — entre eles Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel — e medidas restritivas para outros, incluindo afastamento de cargos e proibição de contato com agentes da corporação. O Ministério Público Federal manifestou-se favoravelmente.
A investigação aponta ainda suspeita de participação de policiais federais, com um agente da ativa acusado de consultas indevidas em bases da corporação e repasse de informações ao grupo. Mensagens apreendidas sugerem pagamentos regulares para custear a atividade: conversas indicariam cobranças mensais de até R$ 800 mil para manutenção do esquema, enquanto o líder do braço digital, identificado pela PF como David Henrique Alves, teria recebido cerca de R$ 35 mil por mês e teria removido equipamentos após a deflagração da operação.
Mendonça registrou nos autos um 'quadro indiciário robusto' sobre a existência de divisão de funções e coordenação entre operadores presenciais, hackers e financiadores. Além da investigação criminal, o caso acende alerta institucional: a suspeita de envolvimento de servidores da própria PF amplia o desgaste sobre controles internos e exige respostas claras para restaurar a confiança da sociedade e proteger dados sensíveis.