O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de inquérito para apurar um suposto caso de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A investigação mira a atuação do filho do presidente em possíveis intermediações no Ministério da Saúde para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como 'Careca do INSS'.

Segundo a Polícia Federal, Antunes é figura central em apurações sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, alvo da Operação Sem Desconto. A investigação aponta que o lobista tentou, em 2024 e 2025, negociar contrato milionário de fornecimento de medicamentos à base de canabidiol com o ministério; as tratativas não avançaram. Há registro, segundo fontes policiais, de que Roberta Luchsinger — amiga de Lulinha — foi contratada para prospectar negócios em favor da empresa World Cannabis, ligada ao lobista.

Mendonça já havia autorizado, em fevereiro, a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de Antunes, atendendo pedido da Polícia Federal; a medida correu sob sigilo judicial. O nome de Lulinha foi citado em uma das fases da operação que investiga supostos desvios no INSS, o que motivou agora o inquérito no STF para apurar eventuais práticas de tráfico de influência.

Politicamente, o caso tende a ampliar a pressão sobre o governo Lula: mesmo sem confirmação de irregularidade, a investigação complica a narrativa de separação entre a vida pública do presidente e as atividades de familiares. O episódio deve alimentar questionamentos da oposição e a necessidade de esclarecimentos por parte do Planalto, enquanto o STF e a PF conduzem medidas sob sigilo. Trata‑se, por ora, de um retrato investigativo do momento, não de uma conclusão sobre culpabilidade.