O Supremo Tribunal Federal autorizou a retomada das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso. Em declaração após missa na Catedral Metropolitana de Brasília, Flávio — que concorre à Presidência pelo PL — disse estar “ansioso” e criticou a suspensão das visitas, afirmando que a medida foi "sem critério nenhum, sem humanidade e nenhum amparo legal".

A suspensão havia sido determinada em 13 de julho pelo ministro Alexandre de Moraes, por 90 dias, após Flávio divulgar uma carta escrita pelo pai em apoio à sua candidatura. Na decisão, Moraes entendeu que a divulgação configurou desvio de finalidade, ao transformar um encontro familiar em ato de finalidade político-eleitoral, descumprindo medidas que proibiam o uso de redes sociais pelo preso.

A liberação devolve o contato familiar, mas mantém as condições e a proibição de instrumentalizar as visitas para fins de campanha — ponto que tende a virar foco de atenção pública e judicial. Há risco político imediato: a retomada do abraço entre pai e filho tem potencial simbólico para a candidatura de Flávio, ainda que formalmente vedada qualquer manifestação eleitoral durante os encontros.

Do ponto de vista institucional, o episódio coloca em evidência o desafio de conciliar garantias de visita íntima com a necessidade de evitar que medidas cautelares sejam contornadas em benefício de propaganda política. Resta observar se as restrições serão efetivamente cumpridas e que impacto prático esse reatamento do contato terá na narrativa eleitoral nos próximos meses.