O Supremo Tribunal Federal chegou nesta terça-feira (15/9) a um julgamento com composição reduzida e ambiente de alta tensão. Com Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques declarando-se impedidos e Alexandre de Moraes também ausente por ser interessado no caso, apenas sete ministros estão aptos a decidir se será aberta investigação sobre as conversas atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na prática, quatro votos bastam para formar maioria, o que torna cada manifestação individual mais decisiva e o resultado final imprevisível.

Entre os sete que votarão estão Edson Fachin, Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Nos dias que antecederam a sessão, Mendonça e Fux deram sinais favoráveis à abertura de apuração para esclarecer a troca de mensagens; em sentido contrário, Flávio Dino e Gilmar manifestaram resistência à ideia de uma nova investigação contra o colega. Esse desenho deixa Fachin, Zanin e Cármen em posição de pivôs para a formação da maioria, ampliando o impacto político de suas decisões.

Além da divisão de votos, o caso traz outra fonte de fricção: a validade do relatório da Polícia Federal que trouxe as conversas à tona. O documento foi produzido no âmbito das apurações determinadas por André Mendonça, que permanece entre os sete ministros que vão julgar a abertura de investigação — fato que adiciona uma camada evidente de tensão sobre a imparcialidade do processo. Alexandre de Moraes reagiu publicamente à atuação de Mendonça, acusando-o de abuso de autoridade e viés político; a controvérsia sobre a produção do material pela PF será analisada separadamente pelo Supremo no dia 23/9.

O episódio evidencia como o chamado Caso Master expôs fragilidades institucionais e gerou sucessivos impedimentos, suscitando dúvida sobre quem pode participar de cada etapa das apurações. Politicamente, a divisão interna do STF acende alerta sobre desgaste da Corte e sobre o custo institucional de disputas entre colegas que acabam repercutindo fora do tribunal. A decisão de hoje pode não apenas definir o futuro processual de Moraes, mas também influir na percepção pública sobre transparência e equidade nas investigações que envolvem membros da própria Corte.