A suspensão da sessão desta quinta-feira decretada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, não conteve a escalada de atritos dentro da Corte. O decano Gilmar Mendes usou as redes sociais para rebater a divulgação de conversas que, segundo ele, atingiram a honra do procurador-geral da República Paulo Gonet no caso Banco Master. Na publicação, Gilmar afirmou que a quebra de sigilo produziu um dano imediato à reputação de Gonet e questionou a motivação política por trás do episódio, lembrando paralelos com o uso seletivo de vazamentos em investigações passadas.

O alvo direto das críticas foi o relator dos autos, que — segundo Gilmar — admitiu em plenário a inexistência de indícios contra o PGR e ainda assim autorizou a exposição pública das conversas. O relator respondeu em nota, negando práticas de intimidação e afirmando que jamais converteu o plenário em palco. A resposta também avançou em uma sugestão institucional: a crise ressaltou, na visão do signatário, a necessidade urgente de um código de ética para disciplinar a atuação dos magistrados dentro e fora da Corte.

A disputa ganhou repercussão prática: Fachin decidiu adiar o julgamento de André Mendonça, que responde a acusações apresentadas por Alexandre de Moraes, entre elas abuso de autoridade. O pedido de adiamento está ligado a uma questão de ordem levantada por Gilmar que propõe tramitação conjunta de processos referidos no caso Master e possível redistribuição dos autos — medida que pode alterar o controle de procedimentos pela Presidência do STF. Também segue em debate a identificação de magistrados mencionados com indícios de recebimento de valores indevidos.

O episódio acende alerta sobre custos institucionais. Para além das trocas públicas, a controvérsia evidencia fragilidade na regulação do comportamento dos ministros e aumenta o desgaste político da Corte, justamente num momento em que a confiabilidade pública é elemento central. A pressão por regras claras de conduta tende a crescer, mas a disputa atual também mostra como vazamentos e disputas internas podem ser instrumentalizados politicamente, ampliando a percepção de parcialidade. Resta ao Supremo transformar a emergência em resposta institucional que evite mais danos à credibilidade judicial.