O ministro Kassio Nunes Marques determinou em 27 de maio de 2026 a ampliação, para 20 dias, do prazo legal dado à Procuradoria‑Geral da República (PGR) para apresentar parecer sobre a revisão criminal protocolada pela defesa de Jair Bolsonaro. A decisão dobra o prazo previsto no Código de Processo Penal, que estabelece 10 dias para manifestações do Ministério Público em casos dessa natureza.

O pedido, registrado como RvC 6.021 e apresentado em 8 de maio em uma peça de aproximadamente 90 páginas, busca reverter a condenação de 27 anos e três meses imposta ao ex‑presidente por liderar a chamada "trama golpista". Os advogados sustentam erro judiciário e pedem, entre outros pontos, a anulação do processo por suposta incompetência (argumentando que o julgamento deveria ter ido ao Plenário), nulidade da delação de Mauro Cid, cerceamento de defesa e a absolvição total.

Nunes Marques foi sorteado relator depois de excluídos os magistrados que participaram do julgamento original; o ministro André Mendonça atuará como revisor. Pelo regimento, o caso seguirá para análise na Segunda Turma — composta por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Mendonça e Nunes Marques — ou poderá ser levado ao Plenário, dependendo do andamento processual.

A prorrogação do prazo reforça a percepção do Supremo sobre a complexidade do processo e adia uma resposta definitiva sobre a pretensão da defesa. Politicamente, a dilação prolonga a incerteza em torno do caso e mantém impacto na narrativa do ex‑presidente e de seus adversários. No plano institucional, o episódio soma‑se a um fluxo de pedidos: o STF recebeu 18 revisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro, das quais cinco já foram analisadas em Plenário virtual — três rejeitadas e duas com maioria pela rejeição — e tem mostrado divergências pontuais entre ministros como Fux e Mendonça.