O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou que a Câmara dos Deputados apresente, em até 48 horas, esclarecimentos sobre a viagem internacional do deputado Mário Frias. Hugo Motta, presidente da Casa, foi notificado a justificar a situação funcional do parlamentar, incluindo autorização da missão, duração, custos e eventuais pagamentos relacionados ao deslocamento.
A decisão ocorre em um contexto de dificuldade de localização do deputado — oficiais de Justiça tentam intimá‑lo há mais de um mês, segundo o ofício — e diante da informação de que Frias não retornou ao Brasil após compromissos no Bahrein e em Dallas. A viagem ao Bahrein teria ocorrido entre 12 e 18 de maio em agenda organizada pela embaixada do país, com o objetivo declarado de fortalecer relações bilaterais; em seguida ele seguiu para os Estados Unidos. A Câmara afirma que o parlamentar solicitou as viagens sem custos para a Casa.
O pedido de esclarecimento enviado ao Legislativo integra apuração conduzida por Dino a partir de solicitação da deputada Tábata Amaral. O STF investiga indícios de direcionamento de emendas parlamentares a entidades ligadas à produção do filme Dark Horse — entre elas o Instituto Conhecer Brasil e a produtora Go Up Entertainment — projeto no qual Frias figura como produtor executivo. Na semana passada o ministro abriu apuração preliminar sobre transferências feitas por parlamentares do PL a instituições vinculadas ao projeto.
Além do mérito das suspeitas, o episódio tem efeitos políticos e institucionais imediatos. A dificuldade de intimação e a ausência de explicações públicas ampliam desgaste sobre a bancada e forçam a Câmara a demonstrar mecanismos de controle sobre missões internacionais e o uso de emendas. A medida do STF sinaliza que o Judiciário cobrará transparência e resposta rápida; o eventual não cumprimento do prazo por parte da Câmara poderá resultar em novas medidas judiciais ou em pressão política mais intensa sobre a liderança da Casa.