O Supremo Tribunal Federal reúne-se nesta terça-feira para decidir se autoriza a abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes por suposta interlocução com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso veio à tona após o ministro André Mendonça retirar sigilo de conversas em 1º de setembro e encaminhar o material a Edson Fachin, que assumiu a relatoria e conduzirá o julgamento.
O rito previsto contempla a leitura e aprovação da ata, o pregão do processo e a exposição do relator. Fachin fará a delimitação do objeto e apresentará relatório antes das manifestações: a Procuradoria-Geral da República terá a palavra e o procurador-geral, Paulo Gonet Branco, já requereu a anulação de provas produzidas pela Polícia Federal que citam Moraes. A defesa do ministro contesta a origem e a regularidade da investigação, alegando que a operação 'Compliance' foi instaurada sem autorização do Plenário e com possível direcionamento político.
A sessão também é sensível no plano institucional: qualquer ministro pode pedir vista a qualquer momento, o que suspenderia a votação e empurraria a definição para prazo indeterminado. Na prática, a Corte pode optar por um desfecho rápido ou por um adiamento estratégico. Em paralelo, órgãos de segurança do Distrito Federal e forças federais coordenam esquema para a sessão, incluindo controle de acessos e inteligência operacional.
Politicamente, o caso acende alerta e complica a narrativa oficial de normalidade no tribunal. Se o inquérito for aberto, Moraes enfrenta desgaste adicional; se provas forem anuladas, haverá custo institucional sobre a atuação da PF e sobre a iniciativa de Mendonça. O julgamento, além de decidir sobre perímetro jurídico, tem potencial de repercutir na imagem do STF e nas relações entre ministros, com efeitos sobre a percepção pública de independência e imparcialidade.