A presença isolada do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, na tribuna presidencial do desfile de 7 de Setembro em Brasília chamou atenção por uma ausência incomum de colegas da Corte. Ministros do STF são tradicionalmente convidados para o espaço reservado às autoridades, mas neste ano a maior parte da Corte optou por não comparecer, em um contexto marcado por atritos públicos entre integrantes do tribunal.
O afastamento ocorre poucos dias após a troca de acusações entre Mendonça e Moraes. Na terça-feira (1º), Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que reúne mais de 50 mensagens entre o ministro Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master — comunicações que, segundo o material, mostram tentativa de busca por proteção diante de investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República. Dois dias depois, Moraes reagiu pedindo a investigação de Mendonça, alegando suposto abuso de poder e direcionamento de apurações relativas ao Banco Master e ao INSS.
A responsabilidade por definir os próximos passos recai sobre Fachin: cabe ao presidente do STF avaliar eventuais procedimentos, decidir se pedidos serão levados ao plenário e estabelecer prazos para a análise dos fatos. A sequência de atos públicos entre colegas e a demonstração de desavença institucional cobram um preço político e simbólico — alimentam percepção de desgaste e questionamentos sobre a independência e a imagem do tribunal diante da opinião pública e de atores políticos.
A ausência de ministros na tribuna presidencial não é inédita — episódios semelhantes ocorreram em 2025, também em momento de tensão. Ainda assim, a repetição do gesto reforça o caráter político do episódio e acende alerta sobre o ambiente interno do STF. Para além das medidas disciplinares ou processuais, o desafio imediato para a Corte é recuperar estabilidade institucional e controlar os efeitos políticos e de confiança pública gerados por um embate que já transbordou para o debate público.