O Supremo Tribunal Federal intensificou nesta fase a atenção sobre os chamados “penduricalhos” nos tribunais estaduais, com decisões que identificam pagamentos individuais que chegaram a R$ 3,2 milhões. Ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin têm destacado, em seus despachos, a existência de centenas de magistrados que teriam recebido mais de R$ 100 mil em um único mês, segundo o levantamento que motivou as medidas judiciais.

Os casos apurados pelo STF envolvem os Tribunais de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia. Entre os episódios mais expressivos está o montante relacionado a um desembargador aposentado do Maranhão, que aparece como o pagamento mais alto identificado pela corte. As decisões dos ministros não se limitam a identificar valores: elas já colocam sob escrutínio a prática de gratificações, ajudas de custo e outras rubricas que elevam substancialmente a remuneração final de magistrados.

Além do impacto financeiro direto, a ofensiva do STF acende um alerta institucional. O episódio amplia o desgaste do Judiciário perante a opinião pública e reforça demandas por maior transparência e critérios mais rigorosos na concessão de vantagens remuneratórias. Para governos estaduais e tesourarias locais, a repercussão cria pressão por ajuste e por mecanismos que limitem transferências sem justificativa técnica, sobretudo em um contexto de restrição fiscal.

As decisões recentes do Supremo sinalizam uma disposição mais proativa da corte em enfrentar práticas remuneratórias questionáveis nos tribunais estaduais. Não se trata apenas de contabilizar valores atípicos: o movimento tende a cobrar respostas administrativas e a fortalecer o debate sobre governança, controle interno e responsabilidade fiscal no interior do Poder Judiciário.