O Supremo Tribunal Federal viveu um fim de semana atípico, com uma sequência de despachos que redesenharam a condução de processos ligados ao Banco Master e aproximaram a Corte de uma sessão extraordinária marcada para 15 de setembro. Entre sexta e domingo, ministros — incluindo Edson Fachin, André Mendonça e Alexandre de Moraes — adotaram medidas sobre sigilo, relatorias e o acesso ao conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, elemento que se tornou centro da disputa interna.
Na sexta-feira, André Mendonça determinou a retirada do sigilo do inquérito 5.070, que apura o possível financiamento do filme Dark Horse, e liberou trechos de investigações que tocam senadores e antigos governadores — medidas que ganharam repercussão após a divulgação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro sobre financiamento de produção audiovisual. As decisões de Mendonça também afetaram inquéritos que vinham sendo conduzidos sob sua relatoria, incluindo apurações conexas ao caso Master.
No sábado, o presidente do STF, Edson Fachin, rejeitou pedido de Alexandre de Moraes para que temas fossem julgados de forma conjunta na sessão do dia 15, determinando que a análise das acusações contra Moraes ocorra na terça e que o pedido contra Mendonça seja remetido para 23 de setembro. Fachin assumiu a relatoria do procedimento que trata da relação entre Moraes e Vorcaro e transferiu à Presidência do Supremo a decisão sobre questões de sigilo e processos ligados ao INSS — movimento que suspende atos monocráticos nesses casos, embora permita decisões excepcionais mediante autorização.
O conjunto de medidas tem efeito prático e político: além de atrasar decisões relevantes sobre as investigações, expõe uma divisão de abordagens dentro do tribunal e amplia a visibilidade pública do conflito sobre o segredo de peças e o acesso ao celular de Vorcaro. A separação de pautas e a assunção da Presidência anunciam um calendário tenso, com Fachin abrindo o primeiro voto na sessão de terça-feira. Para a Corte, o desafio agora é administrar a disputa interna sem que a percepção de politização corroa a confiança institucional.