O ministro do STF Flávio Dino determinou a prorrogação por tempo indeterminado do afastamento cautelar do vice-prefeito de Macapá, Mário Neto (Podemos). A decisão, tomada de forma monocrática neste sábado (2/5), acolhe pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República que investigam suposto esquema de desvio de cerca de R$ 129 milhões em emendas parlamentares entre 2020 e 2024.

A investigação, integrada à Operação Paroxismo, apura fraudes em licitações — com foco na construção do Hospital Geral Municipal, obra estimada em R$ 70 milhões — e registra sinais graves de obstrução à instrução criminal: remoção de HDs, invasões em setores sensíveis, exonerações em massa e bloqueio de acesso a sistemas. Em episódio já relatado pela PF, foi monitorado um veículo da prefeitura transportando R$ 400 mil em espécie.

Além de Neto, a prorrogação do afastamento e as proibições de acesso a prédios públicos alcançam a secretária municipal de Saúde, Érica Aymoré, e o presidente da comissão de licitação, Walmiglisson Ribeiro. Dino advertiu que o descumprimento das medidas pode levar à prisão preventiva, reforçando o caráter cautelar com risco real à coleta de provas e à ordem pública.

Politicamente, a decisão mantém a capital do Amapá sob comando interino de Pedro da Lua (União), presidente da Câmara e aliado do senador Davi Alcolumbre, enquanto a vaga segue aberta desde a renúncia do então prefeito Dr. Furlan. O quadro amplia incertezas administrativas e pressiona a governança municipal: atrasos em obras e serviços à população e desgaste sobre a gestão local são efeitos diretos de uma crise institucional que ainda tende a se aprofundar.