O Supremo Tribunal Federal abriu nesta terça-feira uma sessão que virou palco de atritos intensos enquanto avaliava a abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes por suposta ligação com o ex-banqueiro ligado ao Banco Master. A sessão, iniciada pela manhã e interrompida para o horário eleitoral, se estendeu até o fim da tarde, com debates acalorados sobre o rito, a validade do relatório da Polícia Federal e a adequação da condução adotada por integrantes do Judiciário.

No centro das divergências esteve a acusação implícita de que um dos ministros teria tentado direcionar apurações, o que provocou reação imediata e retaliações verbais. Outro ministro reagiu, classificando a condução como contaminada por motivações políticas e questionando a divulgação de informações no período eleitoral. O tom elevado e os confrontos pessoais marcaram boa parte da sessão, elevando o debate para além da análise técnica dos elementos apresentados.

Além do conteúdo das investigações, o plenário travou uma disputa sobre quem deveria julgar e em que rito seriam consideradas as provas. Dois ministros — Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli — abriram mão de participar da votação, alegando motivos institucionais e para preservar atribuições em outros tribunais eleitorais. Flávio Dino pediu vista, adiando qualquer decisão final e deixando em suspenso um processo de repercussão política considerável.

O episódio acende alerta sobre o risco de politização de apurações que envolvem membros da própria Corte e expõe contradições na forma como o tribunal lida com procedimentos sensíveis. Mais do que o mérito, há um custo institucional: a sequência de choques públicos aumenta a incerteza sobre prazos e critérios, pressiona procuradorias e obrigará os ministros a demonstrar, nas próximas etapas, um caminho técnico capaz de recuperar previsibilidade e confiança.