O cientista político Jorge Mizael, fundador da Metapolítica Consultoria, defendeu que a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal prevista para terça-feira (15) ocorra de forma pública e aberta ao acompanhamento social. Em entrevista ao Podcast do Correio, Mizael argumentou que a exposição dos julgamentos é condição mínima para que a sociedade avalie os critérios jurídicos, técnicos e comportamentais adotados pelos ministros, especialmente diante do relatório da Polícia Federal que reuniu registros atribuídos a Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Para o especialista, a transparência não é resposta episódica a crises, mas princípio permanente: decisões relevantes do STF devem ser tomadas sob luz pública para evitar suspeitas sobre motivações ou procedimentos. A recusa em levar debates sensíveis ao plenário aberto tende a corroer a legitimidade institucional, alimentando narrativas de arbitrariedade e polarização. Num momento em que o Judiciário ocupa papel central na agenda política, a visibilidade das decisões funciona como freio institucional e como mecanismo de prestação de contas.

Mizael também manifestou preocupação com a instrumentalização da Polícia Federal e com vazamentos seletivos que possam moldar percepções antes mesmo do contraditório. Para ele, a PF precisa de blindagem institucional: suas apurações não podem ser apropriadas por interesses de magistrados, autoridades ou partidos. A defesa da autonomia da corporação não é apenas técnica; é política, porque a credibilidade das investigações condiciona a confiança de toda a sociedade e evita que questões penais se transformem em moeda de troca no jogo de poder.

Outro ponto levantado foi o crescimento das decisões monocráticas no Supremo. Segundo Mizael, a concentração de poderes nas mãos de um único ministro produz precedentes que afetam o equilíbrio entre os Poderes e aumentam a insegurança jurídica. Tratadas como fissuras, medidas isoladas podem, com o tempo, alterar regras do jogo e reduzir a previsibilidade das decisões. A consequência política é clara: erosão de confiança, pressão sobre instituições e espaço reforçado para conflitos entre Tribunal, Executivo e Legislativo.

O cientista político propõe aproveitar o período pós-eleitoral para debater reformas estruturais no Judiciário, com foco em governança, ética e maior participação de magistrados de carreira na composição do STF. Para Mizael, medidas que reforcem transparência e mecanismos de responsabilização são urgentes para recuperar autoridade institucional. A sessão marcada para 15/9, portanto, não é apenas um episódio técnico: é um teste sobre a disposição da Corte em submeter decisões de alta carga política ao escrutínio público e em conter práticas que fragilizem a confiança democrática.