A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal, convocada para avaliar se haveria investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposto vínculo com o dono do Banco Master, transformou‑se em espetáculo de atritos e terminou sem decisão: o ministro Flávio Dino pediu vista e adiou a análise. O que deveria ser um debate técnico ficou marcado por interrupções, acusações diretas entre pares e críticas à condução do presidente da Corte.

O presidente tentou em vão estabelecer um tom com apelos à serenidade e ao foco em questões jurídicas. No entanto, o clima se deteriorou rapidamente. Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram momentos de maior tensão, com Moraes acusando o colega de ter usado a Polícia Federal para forçar sua inclusão em colaboração premiada e anunciando que traria testemunhas. Mendonça reagiu negando as acusações e classificando as afirmações como inverídicas. A avaliação sobre a conduta de Mendonça, por sua vez, segue com data provisória marcada para o dia 23.

O ministro Gilmar Mendes também atacou Mendonça, questionando decisões do colega relativas à Polícia Federal e chegando a qualificá‑lo com expressão dura em plenário — episódio que reforçou a sensação de politização dos diálogos. Outra frente de atrito ocorreu entre Fachin e Flávio Dino: enquanto Dias Toffoli explicava sua saída da relatoria das investigações do Master, Dino reagiu a menção ao seu nome, houve intervenção da Presidência e troca de cobranças sobre regimento e direito de palavra.

Além do conflito entre ministros, a própria condução da sessão foi alvo de críticas, elevando dúvidas sobre a capacidade do STF de tratar casos sensíveis com a calma institucional esperada. O adiamento por pedido de vista interrompeu a tentativa de solução e deixa no ar o risco de maiores contestações públicas, que podem ampliar desgaste e questionar a autoridade da Corte num momento em que as expectativas por decisões técnicas são altas.

O episódio expõe mais do que divergência jurídica: revela fissuras políticas internas e complica a narrativa oficial de neutralidade do tribunal. A interrupção do julgamento e a troca de acusações podem gerar custo político para os ministros envolvidos e aumentar a pressão externa por esclarecimentos, ao mesmo tempo em que empurram para frente uma resolução que a própria Corte admitiu não estar em condições de tomar hoje.