O plenário do Supremo Tribunal Federal encerrou a sessão extraordinária com placar de 4 a 3 pela manutenção da separação entre os processos que envolvem o ministro Alexandre de Moraes e o ex-ministro André Mendonça. O julgamento foi, porém, paralisado depois do pedido de vista do ministro Flávio Dino, o que pode adiar a conclusão por até 90 dias.

Edson Fachin abriu a votação defendendo que os feitos não fossem apensados nem redistribuídos; ele foi acompanhado por Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Pelo apensamento votaram Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes — que enxergam conexão entre as matérias. Mendonça sustentou que as bases fáticas são distintas, citando um suposto relatório de inteligência que classificou como irregular e sem valor probatório.

No início da noite, Fachin solicitou manifestação do procurador-geral, Paulo Gonet, que, citado nas mensagens mencionadas, disse não identificar ilegalidade em sua conduta. Com a vista de Flávio Dino, a análise foi suspensa; se o ministro retornar defendendo o julgamento conjunto, o placar poderia empatar em 4 a 4, hipótese em que o voto de qualidade do presidente da Corte teria importância decisória, dependendo do entendimento majoritário no momento da proclamação.

A troca de acusações e o pedido público de desculpas da ministra Cármen Lúcia — que afirmou sentir-se envergonhada com o episódio e questionou a espetacularização do debate — expõem fissuras internas e ampliam o desgaste institucional do STF às vésperas da eleição. Além de postergar decisões, o caso tende a alimentar narrativas sobre politização da Corte e a cobrar de sua presidência medidas para evitar novos choques que comprometam a credibilidade das instituições.