O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anunciou nesta quarta-feira (20) a abertura de um inquérito policial e de um procedimento administrativo para apurar tentativas de fraude processual por meio de 'prompt injection' — técnica que insere instruções invisíveis em documentos para manipular sistemas de inteligência artificial. Técnicos do tribunal identificaram petições no acervo com esse tipo de comando oculto.

Segundo a corte, o sistema de IA usado internamente, batizado de STJ Logos, conta com camadas de defesa que impediram que as instruções adulterassem respostas automatizadas. A Presidência do STJ informou que trabalha para identificar os responsáveis e avaliar eventuais sanções processuais, criminais e administrativas, e que as tentativas serão registradas nos autos.

O episódio amplia o debate sobre a segurança de ferramentas automatizadas no Judiciário e suas consequências institucionais. Mesmo neutralizadas, as tentativas expõem vulnerabilidades operacionais que podem comprometer confiança, exigir reforço de controles e provocar custos adicionais para garantir integridade e transparência na tramitação eletrônica.

A prática já havia chamado atenção no início de maio, quando relatos apontaram tentativa semelhante no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8). Para especialistas e para o próprio STJ, o caso reforça a necessidade de padronização de defesas técnicas, protocolos de auditoria e articulação entre tribunais para prevenir e responsabilizar fraudes que tentem explorar a adoção crescente de IA.