O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade nesta terça-feira (14/4), abrir processo administrativo disciplinar contra o ministro Marco Buzzi. No mesmo sentido, o ministro Kassio Nunes Marques, do STF, já ordenou a abertura de inquérito criminal para apurar as acusações feitas contra o magistrado por duas mulheres, ambas por suposta importunação sexual.
O plenário do STJ também optou por manter o afastamento cautelar de Buzzi até a conclusão do processo administrativo. O ministro está afastado desde 10 de fevereiro; antes disso havia solicitado licença médica por 90 dias. A medida impõe restrições claras: proibição de acesso ao gabinete, a sistemas e a informações institucionais, vedação de contato com assessores e suspensão do uso de veículo oficial.
As denúncias ganham contornos distintos: a primeira foi relatada por uma jovem de 18 anos que diz ter sido assediada em Balneário Camboriú em 9 de janeiro. A segunda suposta vítima, ex-servidora terceirizada que atuava no gabinete, apresentou ao Conselho Nacional de Justiça relatos de pelo menos quatro abusos físicos e afirmou que, quando procurou o chefe de gabinete, ouviu que nada poderia ser feito em razão da condição de ministro.
A defesa de Buzzi nega qualquer ato impróprio ao longo da carreira e pede cautela na divulgação das acusações, sugerindo influência de terceiros com interesses processuais no STJ e criticando a exposição pública do caso. Do ponto de vista institucional, a decisão unânime do STJ acende alerta sobre a necessidade de investigação célere e transparente: o episódio amplia desgaste reputacional da Corte e impõe pressão para que os procedimentos internos e penais sejam concluídos com rigor, evitando dúvidas sobre impunidade ou tratamento privilegiado.