A decisão de Jaques Wagner de deixar a liderança do governo no Senado desencadeou nesta semana uma corrida nos bastidores do Palácio do Planalto para definir quem ficará com a principal função de articulação política na Casa. A escolha ganha contornos delicados: além do desgaste provocado pelas investigações ligadas ao Banco Master, a relação tensa com o presidente do Senado e a janela curta antes do recesso parlamentar tornam a sucessão um tema urgente para a gestão de Lula.

Entre os nomes mais citados está a senadora Teresa Leitão (PT-PE), atual líder da bancada petista. Aliados avaliam que ela soma trajetória partidária e relativa estabilidade política — seu mandato vai até 2031 — e teria capacidade de diálogo com diferentes atores no Senado. No campo interno, também há menção ao ex-ministro Camilo Santana (PT-CE), visto como disponível politicamente, mas cuja indicação esbarra em fatores locais no Ceará que podem complicar a sinalização nacional do Planalto.

Rogério Carvalho (PT-SE) aparece como alternativa natural, graças à experiência em períodos em que já substituiu Wagner, mas sua intenção declarada de concentrar esforços na reeleição ao Senado pode reduzir a viabilidade da nomeação. Fora do PT, o senador Otto Alencar (PSD-BA) foi lembrado, mas interlocutores do governo avaliam que sua permanência à frente da CCJ rende mais ao Executivo na tramitação de projetos do que uma troca de posição para a liderança.

A disputa reflete um dilema claro do Planalto: nomear alguém que transmita estabilidade e força de articulação, sem aumentar o custo político da gestão num momento em que a imagem do governo já sofre desgaste. A tendência apontada nos bastidores é manter a vaga com um petista, mas a escolha final terá impacto direto na capacidade do Executivo de costurar votos e de blindar a agenda prioritária antes do intervalo parlamentar.