O Supremo Tribunal Federal inicia, às 10h, uma sessão que pode alterar, de forma duradoura, a percepção pública sobre sua própria autoridade. Em julgamento provocado por relatório da Polícia Federal — baseado em informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — os ministros vão decidir se autorizam abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A expectativa é de uma sessão tensa: há pressão social por respostas que restabeleçam a credibilidade do tribunal e o acompanhamento próximo de ministros aposentados na primeira fila evidencia a dimensão institucional do episódio.
O rito previsto torna o dia longo e imprevisível. Coube a Edson Fachin, na condição de relator e presidente, a leitura do relatório e a delimitação do objeto do julgamento; a Procuradoria-Geral da República será representada pelo vice-PGR Hindemburgo Chateaubriand Filho, que poderá sustentar oralmente a posição do Ministério Público. Em seguida serão proferidos os votos, sem tempo rígido, o que abre margem para discursos extensos e pedidos de vista — qualquer um dos ministros pode solicitar mais tempo e interromper o andamento. Caso a maioria autorize a investigação, o próprio plenário definirá seu prazo; se as diligências indicarem prática criminal, outra sessão será necessária para avaliar medidas adicionais.
O episódio não se reduz a tecnicalidades processuais. A decisão ocorre sob um esquema de segurança incomum: acesso restrito a credenciados, revistas com detectores, lacre em sacolas para celulares autorizados, proibição de manifestações no plenário e atuação coordenada da Polícia Judicial do STF, Secretaria de Segurança Pública do DF, Comando Militar do Planalto, Forças Armadas, GSI, Abin e outros órgãos. A Presidência da Corte informou que profissionais de imprensa não terão acesso ao interior do plenário, uma medida que privilegia o controle do ambiente mas alimenta perguntas sobre transparência em um julgamento de alto interesse público.
Politicamente, o julgamento acende um alerta para o Supremo. A simples hipótese de investigação contra um ministro do tribunal aumenta o desgaste institucional e complica a narrativa de impessoalidade do Judiciário. Se a abertura for aprovada, haverá custo reputacional imediato e pressão por explicações adicionais; se for rejeitada, restarão dúvidas sobre a capacidade da Corte de se autodefender sem parecer fechada a escrutínio. Em ambas as hipóteses, o resultado força uma agenda de gestão de imagem e de procedimentos internos: o STF precisa demonstrar que segue regras claras e que decisões sensíveis serão tratadas com rapidez, imparcialidade e comunicação eficaz, sob pena de ampliar a crise de confiança que o próprio episódio evidencia.