O recesso parlamentar começou sem que a Câmara dos Deputados votasse o projeto que tipifica a misoginia, aprovado anteriormente pelo Senado. A proposta, defendida por parlamentares da bancada feminina e por organizações de defesa dos direitos das mulheres, acabou ficando fora da pauta nas últimas semanas antes da pausa legislativa.

Relatora do texto na Câmara, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) atribuiu o adiamento ao “ambiente político” e à concorrência com outras matérias consideradas urgentes. Em entrevista, disse ter buscado consenso, ouvido bancadas e incorporado sugestões, mas reconheceu que as disputas políticas recentes impediram a votação antes do recesso.

Tabata descartou que o projeto tenha perdido relevância e prometeu usar o período de pausa para ampliar articulações com líderes partidários. A estratégia anunciada é intensificar conversas para tentar viabilizar a inclusão do tema na pauta logo na retomada dos trabalhos, argumentando que a violência contra as mulheres “não entra em recesso”.

O adiamento, porém, tem efeito político concreto: aumenta a frustração de grupos que esperavam uma resposta ainda neste semestre e indica a competição de prioridades no Congresso. A postergação também acende alerta sobre a capacidade da Câmara de concluir pautas sensíveis em meio a disputas interpartidárias, e tende a pressionar a relatoria e os líderes a apresentarem resultado quando a sessão for retomada.