A campanha de Flávio Bolsonaro escalou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para reforçar a preparação do senador para o último debate presidencial desta sexta-feira (23/10) na TV Globo. Nos bastidores, a mudança aparece como um esforço direto para ampliar o repertório de temas com ênfase em propostas administrativas, enquanto o marqueteiro Duda Lima permanece à frente da estratégia comunicacional. O coach Pablo Marçal não participará da fase final de preparação.
Segundo integrantes do entorno da candidatura, a função atribuída a Tarcísio é clara: oferecer subsídios técnicos e programáticos que possam ser explorados durante o embate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação interna é que, apesar das alterações na retaguarda, Flávio tende a manter o tom de confronto usado no debate anterior, preservando a estratégia de ataque direto ao adversário. A campanha também sinaliza que respeitará as regras de movimentação estabelecidas pela emissora.
Politicamente, a entrada de Tarcísio nos bastidores revela duas leituras possíveis. Por um lado, trata‑se de uma tentativa pragmática de reforçar credenciais de governo num momento em que falta tempo para amadurecer argumentos técnicos; por outro, o ajuste expõe fragilidade no repertório do candidato, que precisa de lastro programático para convencer eleitores indecisos ou preocupados com governabilidade. A presença do governador sugere, ainda, um cálculo para acalmar setores que pedem maior substância política, sem, porém, abandonar a marca confrontativa da campanha.
Restam dúvidas sobre o efeito real de uma intervenção de última hora: treinamento e repertório técnico podem mitigar falhas pontuais, mas dificilmente transformarão a postura geral adotada até aqui. Para o eleitor, o debate será a última chance antes da votação de domingo (25) de avaliar se o ajuste tático produziu ganhos concretos de credibilidade. A aposta da campanha é que a combinação entre direção de comunicação e aporte técnico reduza lacunas, mas a operação também evidencia pressão e a necessidade de correções rápidas às vésperas da decisão.