O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda que o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça conta com "amplo apoio popular" e pediu que a corte investigue as recentes revelações em vez de se fechar em defesa interna. A declaração foi dada após encontro com obreiros da Igreja Mundial do Poder de Deus, no Brás, em São Paulo, onde também estiveram o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o postulante ao Senado por São Paulo, Guilherme Derrite.
A fala de Tarcísio é reação ao episódio revelado pelo Estadão, que mostrou trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, cujo sigilo foi retirado por Mendonça no último dia 1.º de setembro. Sem nomear Moraes, o governador cobrou revisão do comportamento institucional e colocou no centro a necessidade de apuração pública: segundo ele, a restauração da credibilidade depende de transparência, investigação e responsabilização, e não do silêncio ou do corporativismo.
Politicamente, o posicionamento do governador tem dupla leitura: alimenta a narrativa de desgaste das cortes e responde à mobilização prevista para 7 de Setembro, que ele classificou como expressão de indignação popular; ao mesmo tempo, aproxima Tarcísio de um eleitorado ligado a igrejas e a setores críticos ao Judiciário. Para o STF, a pressão pública e a cobrança por esclarecimentos ampliam o custo político do caso e ampliam o debate sobre limites entre poderes e dever de transparência.
Na visão do governador, não pode haver exceção para a lei: a norma precisa alcançar banqueiro, ministro, senador, governador e presidente. A exigência pública por apuração cria expectativa — e risco —: se o Supremo não responder com medidas claras, a percepção de perda de confiança nas instituições tende a crescer, complicando o ambiente político às vésperas das próximas disputas eleitorais.