O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), optou por um discurso mais moderado diante das tensões abertas em torno do Supremo Tribunal Federal. Em contraste com aliados que chegaram a defender o impeachment do ministro Alexandre de Moraes durante os atos de 7 de Setembro, Tarcísio disse à imprensa que a saída deve passar por mecanismos institucionais e não por ações extraparlamentares.

Na avaliação do governador, cabe ao Senado exercer seu papel de fiscalização para que dúvidas sobre a conduta de membros do Judiciário sejam apuradas sem promover ruptura institucional. Ele advertiu que a inércia das instâncias de controle pode produzir um efeito corrosivo sobre o sistema de freios e contrapesos e defendeu que qualquer resposta respeite os limites legais, evitando ações fora da lei.

Tarcísio também elogiou o ministro André Mendonça, cuja atuação recente — incluindo medidas administrativas na Polícia Federal — foi destacada pelo governador como indicativa de prudência e da necessidade de investigação. Ao mesmo tempo, pediu cautela ao presidente do STF, afirmando que a Corte não pode ser colocada em risco por decisões que alimentem conflito político, e reclamou respostas claras às suspeitas levantadas.

A posição do governador representa uma tentativa de contenção dentro do campo bolsonarista: busca preservar uma agenda institucional e transferir a pressão para o Senado, onde a disputa terá reflexos políticos concretos. O recado acende alerta para a base e para o próprio governo — se o Congresso falhar em dar uma resposta crível, a narrativa de descontrole e omissão tende a se fortalecer, complicando a estratégia de quem defende soluções mais radicais.