Ao receber, nesta terça-feira (21), o Grande Colar da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, alinhou referências históricas de Minas Gerais a uma mensagem política centrada na defesa da liberdade e da autonomia institucional. Diante de autoridades e convidados, vinculou episódios como a Inconfidência Mineira e outros marcos regionais a uma narrativa de rejeição à submissão e de esforço coletivo pela independência.
No tom do discurso, Tarcísio fez críticas ao funcionamento do Estado brasileiro ao longo das últimas décadas. Sem apontar alvos específicos, afirmou que o país ainda convive com 'mazelas do patrimonialismo' que distorcem a alocação de recursos e favorecem interesses setoriais. Também mencionou a polarização política como fator que consome energia e dificulta a construção de consensos. Defendeu, na sequência, instituições mais fortes, freios e contrapesos efetivos, redução de impostos e maior estímulo à inovação e à competição de mercado.
O governador citou setores que vê como avanços — agronegócio, indústria aeronáutica e biocombustíveis — e fez referência a gestões mineiras recentes, elogiando o trabalho de Romeu Zema e do atual governador Mateus Simões. Ao encerrar, associou a condecoração a um compromisso institucional permanente, afirmando que a liberdade é conquista diária, não apenas herança simbólica.
Mais que solenidade, o discurso funciona como afirmação de perfil: combina linguagem histórico‑cívica com agenda de eficiência e liberalização econômica. Em um ano marcado por debates sobre gestão pública e retomada do crescimento, a fala amplia a visibilidade de Tarcísio como porta‑voz de reformas administrativas, sem anunciar rupturas formais. A cerimônia integrou as comemorações do 21 de abril e agraciou 171 pessoas em quatro categorias.