O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou ausência no Desfile Cívico de 7 de Setembro no Sambódromo do Anhembi. Segundo a agenda enviada por sua assessoria, em vez de participar do evento cívico pela manhã ele esteve, a partir das 9h15, em um encontro com obreiros da Igreja Mundial do Poder de Deus, no bairro do Braz, Zona Leste.

No Anhembi, o governo foi representado pelo vice-governador Felício Ramuth (MDB). A agenda oficial também prevê a presença de Tarcísio, às 15 horas, na Avenida Paulista no Ato da Independência convocado pelo senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro — programação que aproxima o governador de mobilizações alinhadas ao presidente e ao partido aliado.

A escolha de priorizar um encontro religioso pela manhã e uma manifestação política à tarde abre espaço para interpretações sobre a estratégia política de Tarcísio: reforço da interlocução com a base evangélica e alinhamento com atos do PL. A ausência no tradicional desfile cívico, com forte carga simbólica, tem efeito sobre a imagem institucional do governo e pode ser explorada por adversários como sinal de priorização de agendas partidárias sobre compromissos oficiais.

Não é inédito um governador de São Paulo faltar ao desfile — João Doria deixou de comparecer em 2019 por despachos administrativos, e Rodrigo Garcia também não participou em 2022 — mas a conjugação do encontro religioso com a adesão ao ato do PL intensifica o conteúdo político da decisão. A ausência, além do aspecto simbólico, coloca a gestão sob um foco de avaliação sobre prioridades e cálculo eleitoral no momento em que a agenda pública se aproxima do ciclo de 2026.